Myanmar, o país dos templos budistas

Myanmar, a antiga Birmânia:

O Myanmar, a antiga Birmânia, é um destino tão polêmico quanto belo.

Os diversos povos que o formam sempre vivem em atrito com seus vizinhos indianos, chineses e tailandeses. O país já foi dominado pelos britânicos em um período que durou da colonização no século XIX até o fim da segunda grande guerra.

Fragmentado pela gangorra política, atualmente quem dá as cartas no país é uma junta militar. Como resultado de um embargo internacional o país mergulhou no isolamento, com uma economia caducante. A infraestrutura em geral é precária, com hotéis, transportes e restaurantes ora sem produtos básicos, ora sofrendo com apagões ou falta de manutenção.

Recompensas de se visitar o país:

Para quem resolve visitar o país, no entanto, as recompensas são muitas.

Yangon, a antiga capital, guarda a monumentalidade do pagode Shwedagon Paya, o símbolo nacional e maior tributo à fé dominante, o budismo. Por séculos Mandalay foi o bastião da cultura birmanesa, com seu imponente palácio e a grandiosidade do pagode Kuthodaw. A vida às margens do Lago Inle lhe arremessará a um modo de vida há muito desaparecido, enquanto que Bagan, às margens do rio Ayeyarwady, ostenta centenas de estupas, a maioria pequenas e simples, mas muitas outras grandes e ricamente ornamentadas, formando uma paisagem arrebatadora e única.

Localização:

Localizado no Sudeste Asiático, O Myanmar se limita a oeste com o Bangladesh, a noroeste com a Índia, a nordeste com a China, a Leste com o Laos e a sudeste e leste com a Tailândia, além de ser banhado pelo mar de Andaman ao sul e pelo Golfo de Bengala ao sudoeste.

Economia:

A agricultura é a principal atividade econômica praticada no Myanmar, sendo responsável pela captação de 70% da mão de obra nacional. Vales férteis proporcionam o cultivo de diferentes produtos, em especial o arroz e a papoula.

O país é considerado um dos mais economicamente pobres do Sudeste Asiático. Durante o período de dominação britânica, foi um dos mais ricos dessa região, no entanto, os golpes políticos e a atual ditadura militar estreitaram as relações econômicas com outros países, sofrendo por isso sanções internacionais.

Composição étnica:

O território birmanês é multiétnico, cuja maior parte da população é composta por mongóis. Os birmaneses são o maior grupo étnico populacional, habitando principalmente o centro do país. No entanto, uma grande diversidade de minorias se localiza nos arredores do Myanmar. Pode-se citar povos como os Karens, os Shans, os Thais, os Mons, Palaungs e uma série de outros grupos menores. A população também é composta por imigrantes como os indianos, bengalis e chineses.

Idioma e Religião:

A língua nacional é o birmanês. O alfabeto birmanês combina o sânscrito indiano com a escrita pali dos livros sagrados budistas. Cerca de 89% da população é adepta ao budismo, principalmente o Teravada. Outras religiões praticadas no país são o cristianismo, o islamismo, o hinduísmo e crenças animistas tradicionais.

Thanaka, um segredo feminino para uma pele saudável:

Ao admirar o sorriso das crianças birmanesas ou os belos traços de uma mulher, a primeira reação de qualquer estrangeiro é perguntar que marca é esta que todos levam na bochecha. Em forma de um círculo, de uma folha ou mesmo de um borrão, a pasta de coloração amarela clara é a famosa Thanaka, uma espécie de cosmético feito a base de casca moída que é a marca registrada do Myanmar e é uma tradição milenar que faz parte da identidade nacional feminina. É usada pelo povo para se proteger do sol forte e deixar a pele mais macia.



O Turismo no Myanmar:

Não existem voos diretos entre o Brasil e o Myanmar. Boa parte dos maiores operadores de voos possuem restrições ao país, então a forma mais simples de se chegar lá é através de Cingapura ou pela Tailândia pelo aeroporto internacional de Yangon.

Por terra, existem postos fronteiriços com a Tailândia e China, os mais utilizados, mas este meio é tão complexo e burocraticamente arriscado que é pouco recomendado. Entre os entraves existentes é que, caso você entre por uma determinada cidade fronteiriça com o visto emitido localmente, você obrigatoriamente deve sair do país pelo mesmo local.

As dificuldades não se limitam a entrar no país. Boa parte das ferrovias e estradas estão em estado precário de conservação, o que faz de viagens fluviais e aéreas as mais convenientes para o turista. Vale novamente frisar que boa parte do país se encontra fechado aos estrangeiros, limitando os turistas aos destinos realmente mais populares, como Yangon, Bagan, Inle e Mandalay.

Vamos conhecer agora cada um desses destinos tão interessantes.

Yangon:


Yangon, a antiga Rangum, é a maior cidade do país e é a porta de entrada para o Myanmar. Por aqui se observam muitos prédios modernos que estão surgindo, misturados com construções antigas e templos. Um dos pontos mais turísticos de Yangon é o Shwedagon Paya, o pagode mais sagrado do Myanmar e um dos mais sagrados do budismo. É um inacreditável complexo de templos cobertos de ouro, pedras preciosas e em algumas partes, madeira entalhada à mão.

Diz a lenda que tanta beleza e imponência é justificada pelo fato do Shwedagon ter sido construído sob fios de cabelo de Siddhartha Gautama, o Buda, há muitos séculos atrás.

Siddhartha Gautama, o buda.

Outros pontos turísticos da cidade que valem a visita são o Botataung Paya, um dos únicos pagodes existentes em que a estufa é oca, podendo ser visitada por dentro, onde as paredes e o teto são totalmente cobertos de ouro.


Mais um ponto turístico interessante da cidade e que vale a visita é o Chauk Htat Gyi Paya, um pagode onde no seu interior existe um belíssimo e gigantesco Buda deitado, com 66 metros de comprimento e quase 20 metros de altura.

E o Karaweik, o Barco Real birmanês que fica ancorado no Lago Kandawgyi, dentro do Parque Bagyoke, que é um oásis de tranquilidade no meio do caos de Yangon.

Mandalay:

Localizada no centro do Myanmar, a segunda maior cidade do país, com mais de 1 milhão de habitantes está cheia de templos, monastérios e pagodas. o que a torna um dos principais destinos de peregrinação budista do país.

Um dos principais atrativos do local é o Gold Pounder Workshop, onde são confeccionadas finas folhas de ouro, usadas para cobrir as imagens de buda.

Falando em ouro, outro passeio imperdível é o Golden Palace Monastery, um antigo cômodo do palácio real que ficava Amarapura, a capital na época. Quando o rei decidiu mudar a capital para Mandalay [Atualmente a capital se chama Naypyidaw], mandou separarem e transportarem o cômodo, que continuou sendo seu aposento até o dia de sua morte. Agora ele está aos pés de Mandalay Hill.

Para os mais ligados à arte, não deixe de assistir a um espetáculo de marionetes quando for ao Myanmar e Mandalay é uma das melhores cidades para se apreciar essa atração. O teatro de marionetes é muito importante para a cultura do país, além de ser super tradicional e existe por aqui há séculos, quando o país ainda era conhecido como o Reino de Burma.

Bagan:

Bagan é uma cidade surreal e no meio de sua paisagem rural, que se perde de vista, além da vegetação do campo, existem aproximadamente 3 mil templos muito antigos e bem preservados, sendo que boa parte é enorme e possui arquiteturas totalmente únicas.

Os templos foram sendo construídos ao longo dos séculos por reis que queriam demonstrar mais devoção e mais poder que os governantes anteriores. Na prática, ganhava quem construía mais, em número e em imponência! O mais interessante aqui é que você pode fazer um incrível voo de balão.

Esse destino também é incrível para quem curte admirar o pôr do sol. Bagan é considerado um lugar mágico e misterioso, que certamente vale a pena ser contemplado.



Lago Inle:

Situado ao leste do Myanmar, entre uma bela cadeia de montanhas verdes, o Lago Inle é a casa de mais de 70 mil pessoas. O povo local segue os tradicionais preceitos budistas e todos vivem uma vida simples, mas muito autossuficiente, que gira ao redor do lago, afinal, tudo está lá: suas plantações, casas, escolas, mercados e templos.

O Lago Inle, assim como o resto do Myanmar, ainda não foi tão explorado pela indústria do turismo quanto o resto do Sudeste Asiático. Por conta disso, é um dos lugares mais intocados e autênticos da região.

Uma das atrações mais interessantes do Lago Inle é simplesmente observar a vida acontecendo, visitar as pequenas cooperativas que produzem diversos tipos de artesanato e admirar as habilidades das mulheres tecendo belas vestes.



O mais famoso mercado flutuante fica localizado na Vila de Ywama, a maior de Lago Inle. O local exato pode mudar durante o dia por conta do sol, mas fica sempre próximo da Phaung Daw Oo Pagoda.

Sem dúvidas, uma das cenas mais belas que você vai poder testemunhar por aqui será protagonizada pelos “pescadores bailarinos” do Lago Inle, apelido carinhoso dado aos pescadores do local, donos de um estilo único de pesca.

A tradição passa de pai para filho a cada geração e teve início justamente por conta da peculiaridade da cidade, situada em um lago. As plantações flutuantes tornaram difícil para os pescadores ver o movimento dos peixes, então a solução foi começar a pescar de pé, utilizando as pernas como instrumento para movimentar as redes. O resultado é praticamente um balé da pesca, incrivelmente emocionante.


Uma das principais fontes de renda do povo Intha é a venda de produtos agrícolas. Mas por conta da sua geografia, as plantações têm uma peculiaridade: são todas flutuantes, graças à aquicultura.

Encerramento:

Esperamos que tenha gostado de conhecer esse país diferente e incrível, que ainda é muito fechado e desconhecido pela maioria das pessoas. Apesar dos problemas, o Myanmar é lindo e cheio de atrativos exóticos e bem diferentes do que estamos acostumados no ocidente.

Fontes:

AP News – Inle Lake Festival

https://apnews.com/article/9d9d85c2394a6d8a1cb102eed702f971

Britannica – Mandalay

https://www.britannica.com/place/Mandalay-Myanmar

Britannica – Myanmar

https://www.britannica.com/place/Myanmar

Britannica – Pagoda

https://www.britannica.com/technology/pagoda

Britannica – Yangon

https://www.britannica.com/place/Yangon

Myanmar Ministry of Information – Myanma Thanaka

https://www.moi.gov.mm/moi%3Aeng/news/6725

UNESCO – Bagan

https://whc.unesco.org/en/list/1588/

Vídeo do canal no YouTube:


Detalhe Interessante:

Caso você não saiba, uma pagoda é um tipo de construção muito comum em países da Ásia, especialmente nos lugares onde o budismo é praticado. Ela costuma ter vários andares empilhados um em cima do outro, com telhados em formato de guarda-chuva ou curvados para cima.

Essas construções servem como templos religiosos, locais de oração, ou como monumentos sagrados onde se guardam relíquias importantes, como pedaços de textos antigos ou até restos de mestres budistas.

Além de serem lugares sagrados, as pagodas também são muito bonitas e cheias de detalhes, por isso atraem muitos turistas e fotógrafos.

Boa sorte e até a próxima matéria!

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